Publicado por: Bernardo Annechino | 30/11/2009

Paguei pra ver: Afrânio

Afrânio
Subir a serra é um bom programa

Não é de hoje que a gastronomia do Rio de Janeiro vem ganhando excelentes opções fora da capital. Tenho carinho especial pelos restaurantes da serra. Sempre aconchegantes, charmosos, simples e com boa comida. Não sei se é a atmosfera, o ar da montanha, mas as pessoas parecem mais bonitas e o papo mais agradável (é, pode ser o vinho…). No último feriado embarquei para Itaipava com a Patroa e um casal de amigos, o Dindo da Duda e sua senhora, com a missão de mostrar as coisas boas da região. Depois de levá-los a feirinha (coisa que sequer a Patroa conseguiu me convencer a fazer antes desse dia) precisava me redimir de alguma forma. A sugestão foi da minha mãe, que na mesma semana havia experimentado o Afrânio, em Araras. Seu prato foi suficiente pra me convencer. Nhoque com molho cremoso de hadoque.

Feriado, e a serra estava cheia. Decidimos fazer reserva. Ainda bem, quando chegamos já estava bem cheio. No meio de um pequeno polo gastronômico, onde ainda se fazem notados o Oliveira e o Zafferano, revelou-se a simpática casinha do Afrânio. Simpática no mais aconchegante sentido da palavra, com cara de casa da gente. Meia luz, móveis simples, decoração discreta e um atendimento bem simpático. Fomos direcionados para uma varanda na área externa em meio à mais esplendorosa Mata Atlântica, numa noite de clima agradável. Devidamente sentados, olhamos o cardápio e era exatamente o que eu esperava. Comida simples, despretensiosa, como pede o lugar. Entre um pãozinho com mel de pimenta e outro do couvert, esperei a escolha dos companheiros de mesa, mas já sabia há muito o que queria. O nhoque. recomendação da mamãe. Fui acompanhado pela Paulinha. O Dindo da Duda, pediu truta com molho de amêndoas. Praticamente assinatura da serra. A Patroa foi de risotto de brie com rúcula e presunto de parma.

Papo indo, papo vindo, um bom vinho pra acompanhar. Um brie com geléia de entrada pra completar o couvert simpático. Mais papo e os pratos chegaram à mesa num piscar de olhos. Fosse esse qualquer outro dia, talvez tivesse adorado a eficiência do serviço. Mas numa noite como essas, preferia um pouco mais de lentidão. Slow Food gente. Toda restaurante de serra do mundo deveria seguir esse conceito. Mas tudo bem, isso não atrapalharia o papo. Pelo contrário, comentar os pedidos, dar garfadas no prato do vizinho faz parte da diversão de jantar fora. Meu nhoque estava muito leve. Pudera, a massa era feita na casa. O molho, rico e saboroso, com bons nacos de hadoque, hmmm, que são maravilhosos. O único ponto negatico ficou na textura do peixe, um pouco dura a fibrosa. Provei o risoto da Patroa e tive a grata surpresa ao perceber que o presunto parma foi colocado na finalização do prato, ao natural, permitindo apreciar todo seu sabor.

Foi sem dúvida uma noite que pede repetecos, especialmente quando a hostess da casa nos abordou para perguntar o que havíamos pedido e recomendar alguns cortes interessantes de cordeiro e a prime rib da casa. Motivo suficiente pro Fred Flintstone que há dentro de mim (adoro uma carne no osso) esquecer o charme da serra e pensar carnivoramente na próxima visita.

Trocando em Miúdos
Afrânio
Onde: Estrada Bernardo Coutinho, 3575 – Araras – Petrópolis/RJ
Tipo: Brasileira
Comida: :-)
Ambiente: :-D
Serviço: :-)
Conta: $$$$$ 

Publicado por: Bernardo Annechino | 13/11/2009

Paguei pra ver: Blu

Blu
Clima na medida. Carne no ponto. Atendimento perfeito. E conta salgada.

Quando se come bem, se é bem atendido e o ambiente ainda é bacana, fica difícil dizer que um lugar é caro. Prefiro dizer que é acima do meu patamar. É o que acontece no Blu, novo restaurante da turma que toca o Azzurra, que inaugurou esse mês no condomínio comercial Le Monde, na Barra. Já havia um tempo que tentava experimentar, mas esperando os inseperáveis Tutuskos para ajudar na primeira impressão, as agendas nunca batiam. Desisti deles e encampei uma nova velha companheira, minha Vó Tatá e claro, a Patroa.

Num domingo de sol, almoçar sem fila já é uma benção em muitos lugares da cidade, mas especialmente na Barra. Já gostei. Chegando na porta, manobrista. Mais um ponto pra casa. Entramos, sempre atendidos de forma simpática e amável pelo staff. A decoração é bem bacaninha, combinando alguns elementos rústicos, como tijolos aparentes envelhecidos e móveis mais sofisticados com as retíssimas mesas do lounge. A trilha sonora também chamou a atenção. Um jazz instrumental bem simpático. Sabe qual foi o toque mais legal? Em frente a nossa mesa uma televisão passava imagens do fundo do oceano, com cardumes de tubarões e sailfish. Já tava me sentindo em casa.

Entre explicações sobre a nova casa, um sorriso e outro, pedimos o couvert (o do Azzurra é espetacular e a espectativa pra esse era grande) e duas entradinhas: torre de queijo de coalho com melado ao limão siciliano e casquinha de cherne pra Patroa. O couvert manteve a fama do seu primo. Pães crocantes e quentinhos, manteiga Aviação (tá na moda agora), uma levíssima mousse de foie e uma linguicinha defumada, tenra e muito saborosa. Lembra muito a do Ponderox (acredito que deva ser do mesmo fornecedor). Das entradas, a casquinha da Patroa ganhou de longe. É preparada como uma casquinha de siri tradicional, mas sem as “surpresas” que volta e meio aparecem no meio do crustáceo. Pelo contrário, mais carnudo, ficou delicioso. Claro, não tem notas tão adocicadas, mas é uma opção bem legal. Já o queijo coalho, acho que foi um prato mal concebido. Chegou à mesa meio borrachudo (poderia ter ficado mais tempo na brasa) e o limão siciliano até dá um toque interessante, mas o melado é muuuuuuuito doce e acaba tornando bem enjoativo.

O menu principal deixa bem clara a especialidade da casa. Carnes. No melhor estilo Esplanada ou Giuseppe, oferece cortes especiais de procedência conhecida e maciez garantida. Será? Vamos pôr a prova. E todos os 3 fomos de carnes. Pra variar fiquei tentado com o carneiro, mas acho que a melhor forma de avaliar um restaurante é pedir o carro chefe, o prato recomendado pelos maitres. Prime Rib. Mal passada. Do outro lado do cardápio, uma lista interessante de acompanhamentos para casar com seu pedido. Como não resisto, pedi o palmito na brasa. A Patroa foi bem mais ousada e pediu um Alligot. Vó Tatá, como sempre, farofa. Bom que dava para circuluar entre os três e provar um pouquinho de cada. Alguns refis de pão de queijo e linguiça depois, e já chegava a comida. Minha carne estava espetacular. Macia, saborosa, no ponto exato que pedi e com aquele gostinho característico de churrasqueira a carvão. A Patroa se atracava com um Steak de Mignon (eu acho bem sem graça, mas ela gosta, fazer o quê?). O alligot fiz questão de provar. Covardia. O outro que tínhamos provado havia sido no D.O.M.. Nem de longe lembrava a maravilhosa textura do ponto do Atala, mas tava gostosinho.

Aí veio a verdadeira prova de fogo. O Steak da Tatá veio um pouco fora do ponto. E pra Mignon isso é terrível. Resultado: seco e duro. Bastou um olhar diferente para o garçon e ele pescou no ar nossos comentários. Não precisamos falar mais nada. Em segundos o maitre estava ao lado da mesa se oferecendo para trocar a carne, reafirmando que passara um pouco do ponto e pedindo desculpas. Sinceramente, acho isso muito mais louvável do que tentar convencer o cliente de que nada aconteceu. Vale pro Blú, valeu para o 3 estrelas Michelin Per Se (veja o post aqui) e só não valeu para o Ponderox (veja a polêmica aqui). Nem deu tempo de esfriar a farofa e já chegava a mesa outro Steak, perfeitamente grelhado e macio. Ponto pra casa.

Mas ser bem-servido no Rio de Janeiro não foi a única surpresa. Absolutamente despretensiosos na hora da sobremesa, nos deparamos com algumas criações bem interessantes da casa, como a mousse de chocolate amargo com crocante de Oreo pedida pela Vó Tatá, e o meu delicioso Brownie de doce de leite com sorvete. A mousse estava aerada, perfeita na textura, com sabor de chocolate amargo e o crocante pra dar um toque. Mas o meu brownie, foi um caso a parte. Sem ser doce demais, saciava a vontade de formiguinha na medida, e ainda vinha guarnecido de uma generosa colherada de doce. Fechamos realmente com chave de ouro, e tive que agradecer ao gerente pelo serviço.

Pena mesmo que a doloroza foi bem doída. Mais de R$ 100,00 por pessoa é preço de churrascaria rodízio da melhor qualidade. Será que o ambiente mais intimista e o serviço atensioso vale mais que a abundância de cortes suculentos e acompanhamentos mil? Na minha opinião sim, mas só em ocasiões especiais. E com a vovó pagando :-).

Trocando em Miúdos
Blu
Onde: Av. das Américas, 3500 – loja A – Barra
Tipo: Churrascaria a la carte
Comida: :-D
Ambiente: :-D
Serviço: :-D
Conta: $$$$$

Publicado por: Bernardo Annechino | 06/11/2009

Menu Degustação: Degusta Rio 2009

Degusta Rio 2009
As atrações prometidas não encantam, mas sempre vale um confere

E o Rio de Janeiro novamente movimenta o seu cenário gastronômico com um evento que se auto-intitula “O maior evento gastronômico do Rio”. Duvido. Mas como a idealizadora é uma publicitária (e sabemos como esses caras não são confiáveis) vai lá uma licensa poética em nome da classe. De bacana mesmo o fato de acontecer no Cais do Porto, entre os dias 12 e 15 de novembro.  O lugar tem tudo pra ser o maior charme, mas ainda caminha a passos de cágado pra isso. Mesmo assim, e com uma programação que não encanta, vale a visita.

A fórmula é simples. Junta um punhado de comidinhas gostosas, um bocado de Chefs conhecidos e azeite que eu tô lá. Não precisa muito. A palestra (grátis) da Chef Elen Casagrande, da premiadíssima Escola do Pão, talvez seja a mais interessante. Acontece no sábado, 14, a partir das 16h. Os restaurantes, bares e, novidade dessa edição, uma área de negócios preparam comidas e degustações especiais para o evento. A entrada é R$ 10,00 5a e 6a, e R$ 12,00 sáb e dom, com direito a meia-entrada para estudantes.

Confira a lista completa de quem vai estar no Degusta Rio 2009:
Restaurantes
- Albamar
- Bon Profit
- Brasserie Rosário
- Degustér Cafe
- Granel
- La Plancha (veja post sobre ele, aqui)
- Otto
- Portal do Sabor
- Real Kebab Kebaberia
- Saltimboca
- Sentaí

Sobremesas
- Amarena Gelateria Italiana
 - Artefruta Buquês Comestíveis
- Chez Bon Bon
- Creme Caramelo
- Degustér Cafe
- Mariana Meirelles
- Pimenta Carioca
- Portal do Sabor
- Sorvete Brasil

Bares
- Aconchego Carioca
- Degusta Ecológico
- Meza Bar
- Quiosque do Português
- Rio Scenarium

Mercado
- Eco Chefs
- Elvi Cozinhas Industriais
- Pão & Companhia
- Rancho dos Sonhos
- Slow Food

Quem ainda quiser mais detalhes, o site do evento é http://www.degustario2009.com.br/
(e bem fraquinho, diga-se de passagem)

Publicado por: Bernardo Annechino | 18/10/2009

Paguei pra ver: EPCOT Food & Wine Festival

EPCOT Food & Wine Festival
Entre Mickeys, Patetas, Pinotages e Escargots

Por todas as qualidades que é famoso, Orlando definitivamente não é conhecido por seu turismo gastronômico. Especialmente dentro dos parques temáticos, onde sanduíches de nomes tão estranhos quanto Zupa-dee-doo Burger são a comida típica. Mas, na real mesmo, quem se importa? Eu, definitivamente não deixo de me divertir por isso, mas se pudéssemos juntar as duas coisas, aí sim seria o mundo mágico. E não é que dá pra conciliar! Entre 25 de setembeo e 8 de novembro o EPCOT recebe um divertidíssimo Food & Wine Festival, que participei na última semana.

As atrações são para todos os gostos, humores e bolsos. Pelo preço normal do ingresso no parque você tem acesso aos pavilhões dos países em torno do lago, o famoso World Showcase, onde casinhas simpáticas montadas especialmente para o evento oferecem pratos típicos de várias localidades do mundo, com a sugestão de bebida que melhor harmoniza, indo de cerveja Guiness a vinho Miolo. Isso mesmo, o Brasil estava lá representado entre os outros 25 países. Além da orgia gastronômica, onde você paga por prato, há aulas que chegam a custar até U$ 200,00, demonstrações grátis e palestras com Chefes do momento. O tempo (e o budget, claro) me permitiram apenas o passeio ao redor do lago provando um pouco de tudo. Acompanhados dos sempre dispostos Tutuskos, a Patroa e eu demos uma volta completa nesse mundo de sabores e aromas, provando as porçõezinhas degustação do que nos apetecia até atingir o limite de capacidade. Certamente é um programa para 3 dias, que fizemos em uma tarde. Apesar de não termos experimentado rigorosamente todos os países, passamos por muitos, torramos U$ 100,00 e o que achamos, vai aqui embaixo:

The Mose Catch
Queijos Dorothea (holandês), Piave (italiano) e Mahon (espanhol)
Chamapgne Chandon Brüt Imperial Rosé

Uma provinha de queijos onde o holandês foi o grande destaque, feito com leite de ovelha, lembrava um Pecorino, mas com uma textura um pouco mais cremosa.

Mexico City, Mexico
Quesadilla con chorizo

Ainda com o gostinho da champagne, deixei a bebida de lado e caprichei na pimenta nessa crocante tortilla recheada de queijo e pedacinhos de lingüiça. Gostoso, mas não delicioso.

Barcelona, Espanha
Taste of Spain: presunto serrano, queijo monchego, chorizo, azeitonas e pão de tomates
Abadia Retuerta Selección Especial

Era um dos que mais me interessava. E não decepcionou. O presunto, delicioso, com seu sabor frutado e notas apimentadas, combinava perfeitamente com o aromático tinto de uva tempranillo (vem se tornando uma das minhas prediletas). O chorizo com queijo monchego é uma combinação com a cara da Espanha. Perfeito!

Shanghai, China
Frango grelhado com cuminho e temperos chineses

Acompanhado de alguns vegetais verdes refogados, o franguinho estava bem temperado e o cuminho bem presente. Poderia facilmente se tornar uma receita de fim de semana aqui no Chateau (meu simpático quarto e cozinha).

Cidade do Cabo, África do Sul
Filé mignon grelhado com pure de batata doce e molho barbecue de manga
Fairview Winery Pinotage

Um dos melhores do dia. O adocicado e azedinho do molho ficava perfeito com o adocicado suave do pure. A Carne poderia estar um pouco menos passada. Envolvendo todos os sabores um vinho frutado e leve.

Bangkok, Tailândia
Sopa de frango e leite de coco com cogumelos, capim limão e gengibre
 
Meu fraco por comida tailandesa falou mais alto, e não resisti a essa característica e aromática sopa, mesmo no calor infernal do dia com 95% de humidade no ar.

Melbourne, Austrália
Costeleta de cordeiro com molho de vinho tinto e sal marinho do Murray River
Rosemount Pinot Noir
Outro ponto alto. Poderia comer isso o dia inteiro. As costeletas estavam deliciosamente carnudas e suculentas, grelhadas à perfeição e com sabor na medida. Só não consegui diferenciar o tal sal… Na harmonização, apesar de adorar pinot, o vinho se mostrou um pouco abaixo do prato e sumiu no paladar.

Hops and Barley, EUA
New England Lobster Roll

Esse tradicional sanduíche de salada de lagosta foi perfeito para o momento do dia, quente. Com sua acidez pronunciada e frescor da lagosta, refrescou a cuca (e o paladar) para a segunda metade dessa maratona gastronômica.

Tóquio, Japão
Spicy Tuna Roll

Fresco e apimentado, mas nada demais. Aqui mesmo no Brasil é possível provar melhores, como o meu favorito, no extinto Sushi Brasil, de ipanema.

Paris, França
Escargot persillade en brioche
Bouchard Ainee & Fils Chardonnay

Escargot não dá pra resistir. Servido como o delicioso recheio de um crocante e quentinho brioche, com os aromas de manteiga, alho e ervas quase me senti em Paris. Não fosse a textura um pouco borrachuda do caracol pra trazer de volta à realidade de Orlando. O vinho cortava, com sua acidez delicada, o amanteigado do prato.

Cork, Irlanda
Seleção de queijos: Cheddar envelhecido, Dubliner e Invernia com chutney de maçã
Guiness Draught

Que grata surpresa. Os queijos de sabor acentuado e excelente acidez foram marcantes, mas a harmonização do chutney com a cerveja Guiness foi de outro planeta. A melhor do dia, sem dúvida. Vou tentar repetir em casa.

Santiago, Chile
Alfajor de doce de leite

Mais parecendo um biscoito amanteigado casadinho do que um alfajor, nem me importei. Precisava de alguma coisa doce no final da maratona. E servido resfriado, era o alívio para o calor que fazia. Comi 3 sozinho.

Quem quiser ver tudo sobre o evento, aqui vão os links do material oficial:
> Guia Completo
> Mapa dos países

Publicado por: Bernardo Annechino | 05/10/2009

Menu Degustação: Lista do Michelin 2010 NY

Lista do Michelin 2010 NY
Prestigiada lista é anunciada com muitas novidades

A lista dos principais restaurantes de NY de acordo com o reverenciado Guia Michelin foi anunciada em press release oficial da empresa ainda esta manhã. A versão impressa começa a ser vendida a partir de amanhã nos EUA. O Guia Michelin é sem dúvida a mais prestigiada publicação de avaliação gastronômica no mundo, capaz de criar ou destruir a reputação mesmo dos restaurantes mais tradicionais. Na nova lista divulgada, que vale como referência para o ano de 2010, nada menos que 21 estabelecimentos foram incluídos ou mudaram de categoria (marcados com (N)) no ranking, que vai de 1 a 3 estrelas. Fiquei especialmente feliz em reparar que 2 dos restaurantes que visitei no início do ano, o Per Se e o Le Bernardin, se mantiveram com a avaliação máxima. Ambos, na minha humilde opinião, com muita justiça. Como já era de esperar, o L’Atelier de Jöel Robuchon caiu. Pena, pois tive uma refeição deliciosa, mesmo que não tenha sido espectacular. Outros que pretendo visitar em minha próxima ida à cidade, com o Jean Georges, o Bouley, o Spotted Pig e o Veritas também figuram na lista.

Guia Michelin 2010 NY  

***

Daniel (N)
Jean Georges
Le Bernardin (veja post aqui)
Masa
Per Se (veja post aqui)

  
**

Alto (N)
Corton (N)
Gilt
Gordon Ramsay at The London
Momofuku Ko
Picholine

*
Adour
Annisa
Anthos
Aureole
A Voce (N)
Blue Hill
Bouley (N)
Café Boulud
Casa Mono (N)
Convivio (N)
Del Posto
Dressler
eighty one
Eleven Madison Park (N)
Etats-Unis
Gotham Bar and Grill
Gramercy Tavern
Insieme
Jewel Bako
Kajitsu (N)
Kyo Ya
L’Atelier de Joël Robuchon (veja post aqui)
Marc Forgione (N)
Marea (N)
Minetta Tavern (N)
Modern (The)
Oceana
Perry Street
Peter Luger
Public
Rhong-Tiam (N)
River Café (N)
Rouge Tomate (N)
Saul
Seäsonal (N)
Shalizar (N)
SHO Shaun Hergatt (N)
Soto (N)
Spotted Pig
Sushi Azabu (N)
Sushi of Gari
Veritas
Wallsé
wd~50

Publicado por: Bernardo Annechino | 02/10/2009

Por minha conta: Brouillade de ovos e requeijão

Brouillade de ovos e requeijão
Essa receita de Alex Atala é mais simples do que soa, e deliciosa

Alex Atala é o cara. Pelo menos para o cenário da gastronomia brasileira é absolutamente indicustível que ele é o nosso maior embaixador. Claro, temos outros talentosíssimos chefs fazendo um trabalho excepcional com nossos ingredientes brazucas. Mas é Atala quem o mundo reconhece hoje como o grande nome da cozinha brasileira. Título muito justo diga-se de passagem. Já tive a oportunidade de, por duas vezes, provar o menu degustação do DOM. É indescritível. Um universo de sabores e aromas envolvente e acolhedor, mas ao mesmo tempo surpreendente. Pude conhecer o seu outro lado no Dalva & Dito (veja o post aqui), com suas preparações apuradas de ingredientes simples, mas com um resultado apaixonante.

Mas tem uma coisa que me cativa mais do que tudo no estilo de Alex Atala. Com a mesma paixão e dedicação que prepara receitas dignas de apresentações de vanguarda no Madri Fusion, ele defende com unhas e dentes (e cuca, para citar um de seus livros) preparações simples com raízes na cozinha ancestral brasileira, aquela coisa de fazenda mesmo. Assim é a preparação de hoje, pela qual me apaixonei perdidamente. Fiz como auto indulgência em busca do mais perfeito estilo Comfort food, enquanto a Patroa estava em viagem e o Chateau (meu simpático quarto e cozinha) parecia grande demais.

Além de um sabor com gostinho de infância, a textura é o grande encantamento do prato. A recomendação do Alex Atala é de fazer com uma quantidade grande de ingredientes, para manter maior controle sobre a temperatura. Mas fiz metade da receita original que descrevo abaixo e não tive maiores problemas. Perdão mestre Alex, mas cometi esse sacrilégio. Serve perfeitamente como café da manhã para um domingo mais tarde, ou para um lanche a qualquer dia. Mas adorei mesmo como entrada. Especialmente quando enriqueci com uma farofinha crocante de presunto parma. Mais uma vez, com a sua licensa mestre Alex.

Brouillade de ovos e requeijão
Por Alex Atala

Ingredientes
- 100 g manteiga
- 100 ml leite
- 1 copo requeijão
- 6 ovos
- sal a gosto

Preparo
1. misture a manteiga, o leite e o requeijão a frio;
2. leve para derreter em banho-maria com temperatura amena (cerca de 40º C);
3. bata bem os ovos e some à mistura aquecida, batendo vigorosamente;
4. sempre mexendo, cozinhe até a textura desejada, corrija o sal, e sirva

Toque de Aprendiz:
Experimente servir como uma entrada usando uma farofinha de presunto parma por cima, reduzindo a quantidade de sal. Para a farofa, basta assar fatias do presunto até bem crocantes e bater num processador ou pilão.

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