Afrânio
Subir a serra é um bom programa
Não é de hoje que a gastronomia do Rio de Janeiro vem ganhando excelentes opções fora da capital. Tenho carinho especial pelos restaurantes da serra. Sempre aconchegantes, charmosos, simples e com boa comida. Não sei se é a atmosfera, o ar da montanha, mas as pessoas parecem mais bonitas e o papo mais agradável (é, pode ser o vinho…). No último feriado embarquei para Itaipava com a Patroa e um casal de amigos, o Dindo da Duda e sua senhora, com a missão de mostrar as coisas boas da região. Depois de levá-los a feirinha (coisa que sequer a Patroa conseguiu me convencer a fazer antes desse dia) precisava me redimir de alguma forma. A sugestão foi da minha mãe, que na mesma semana havia experimentado o Afrânio, em Araras. Seu prato foi suficiente pra me convencer. Nhoque com molho cremoso de hadoque.
Feriado, e a serra estava cheia. Decidimos fazer reserva. Ainda bem, quando chegamos já estava bem cheio. No meio de um pequeno polo gastronômico, onde ainda se fazem notados o Oliveira e o Zafferano, revelou-se a simpática casinha do Afrânio. Simpática no mais aconchegante sentido da palavra, com cara de casa da gente. Meia luz, móveis simples, decoração discreta e um atendimento bem simpático. Fomos direcionados para uma varanda na área externa em meio à mais esplendorosa Mata Atlântica, numa noite de clima agradável. Devidamente sentados, olhamos o cardápio e era exatamente o que eu esperava. Comida simples, despretensiosa, como pede o lugar. Entre um pãozinho com mel de pimenta e outro do couvert, esperei a escolha dos companheiros de mesa, mas já sabia há muito o que queria. O nhoque. recomendação da mamãe. Fui acompanhado pela Paulinha. O Dindo da Duda, pediu truta com molho de amêndoas. Praticamente assinatura da serra. A Patroa foi de risotto de brie com rúcula e presunto de parma.
Papo indo, papo vindo, um bom vinho pra acompanhar. Um brie com geléia de entrada pra completar o couvert simpático. Mais papo e os pratos chegaram à mesa num piscar de olhos. Fosse esse qualquer outro dia, talvez tivesse adorado a eficiência do serviço. Mas numa noite como essas, preferia um pouco mais de lentidão. Slow Food gente. Toda restaurante de serra do mundo deveria seguir esse conceito. Mas tudo bem, isso não atrapalharia o papo. Pelo contrário, comentar os pedidos, dar garfadas no prato do vizinho faz parte da diversão de jantar fora. Meu nhoque estava muito leve. Pudera, a massa era feita na casa. O molho, rico e saboroso, com bons nacos de hadoque, hmmm, que são maravilhosos. O único ponto negatico ficou na textura do peixe, um pouco dura a fibrosa. Provei o risoto da Patroa e tive a grata surpresa ao perceber que o presunto parma foi colocado na finalização do prato, ao natural, permitindo apreciar todo seu sabor.
Foi sem dúvida uma noite que pede repetecos, especialmente quando a hostess da casa nos abordou para perguntar o que havíamos pedido e recomendar alguns cortes interessantes de cordeiro e a prime rib da casa. Motivo suficiente pro Fred Flintstone que há dentro de mim (adoro uma carne no osso) esquecer o charme da serra e pensar carnivoramente na próxima visita.
Trocando em Miúdos
Afrânio
Onde: Estrada Bernardo Coutinho, 3575 – Araras – Petrópolis/RJ
Tipo: Brasileira
Comida: :-)
Ambiente: :-D
Serviço: :-)
Conta: $$$$$